domingo, 4 de julho de 2010

A poeira retomada.

A poeira permanece naquele lugar, os quadros não têm mais tanta graça e a ausência arde dentro do peito, nem sempre ela aparece, é só de vez em quando... O que já é um começo para quem aparecia todos os dias. Sim, ela batia na minha porta todos os dias, sem pedir licença pra entrar, estabelecia-se em meu cantinho e lá ficava o dia e a noite inteira... sem pressa de ir embora. Tomava chá, assistia televisão ao meu lado, ouvia o silêncio, ouvia meu choro e fitava minhas lágrimas. Ouvia a mesma música que eu, me acompanhava em meus passos solitários e vazios, me via até que meus olhos pudessem se fechar por entre o árduo sono.
Nem as palavras me acompanhavam mais, elas queriam distância de um ser tão tolo, tão dotado de ignorância temporária, um ser tão vazio e indiferente... Deus!, se nem mesmo as palavras queriam me acompanhar, quem é que então o faria?
O sensação de ser tudo ou nada nunca é completa - eu não sei brincar de meio termo -, nada parece se encaixar; não vou dizer que há um buraco que se abre e fecha inúmeras vezes, não vou ser tão melodramática (...) Mas posso lhe garantir que uma perfeita sintonia, não há.
O silêncio as vezes, pode ser útil. O silêncio conjunto, doravante não o tenho mais, nem mesmo esse conjunto de coisas que me incomodavam tanto. Meu silêncio é único, inoportuno.
A manhã seguinte sempre chega, e a noite também, é sempre inevitável; e é sempre tudo muito bem preenchido com boas doses de leitura, sono e café. Algumas coisas simplesmente não conseguem ser substituídas. Alguns momentos sim, outros não. No entanto sei que ainda sou muito boa em fingir. Há sempre um novo amanhecer, e o coração sempre bate, não bate? Então.

(Achei esse texto perdido aqui, é.)

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