domingo, 29 de agosto de 2010

Rabiscos entre dúvidas

A noite sempre chega, e com ela sempre estão os pensamentos mais intensos, e quer você queira, quer não, ela sempre vem. Fico me perguntando o que se passa na cabeça de alguém que vive como uma máquina, que não demonstra sentimento nenhum e olha pro céu de manhã, como se fosse uma coisa tão comum, o que nesse caso, pra ele é, mas poxa, há tantas coisas maravilhosas pra se observar em todas as horas do dia... Sempre que observo esse tipo de coisa me pego pensando sobre a vida... Tantas curvas, tantas partes maravilhosas, tantas partes ruins, dúvidas, alegria, tristeza, amor e tantas outras coisas que aparecem ao longo disso. E qual o sentido de tudo isso? Fico pensando nas razões pra tudo que acontece, acho que às vezes fico até meio louca, levo meu pensamento pra longe daqui sem tirar meus pés do chão. E acho que se formos pensar em tudo, em todas as pessoas, nas razões pra tudo, vamos enlouquecer de verdade. Entretanto, ainda me intriga! As coisas mais confusas, mais intensas, mais impossíveis, são essas coisas que me deixam curiosa demais, é como se eu pudesse superar meus medos, descobrir coisas novas, conhecer novos sentimentos; mesmo que seja confuso, difícil ou qualquer coisa assim. Se nós desistíssemos de todas as coisas mais complicadas, confusas e aparentemente impossíveis, eu acho que hoje em dia não haveria muitas das coisas que hoje temos de certa forma, resolvidas.
O que seria da vida sem a dúvida? Vai me dizer que aquela sensação do "será?" não é intrigante? E o frio na barriga? A ansiedade de um abraço, de um beijo, de uma palavra, de alguém... Ter certeza de tudo seria tão chato! E se fosse assim, não iríamos errar, e como iríamos aprender? Pois é, eu acho que apesar dos "apesares", eu gosto disso, eu posso estar fazendo em vão, mas se um dia der errado eu vou poder estufar o peito e dizer que tentei.
Sou completamente movida à emoção e isso faz parte até mesmo das minhas decisões menos significantes. E às vezes pode não parecer, mas eu me ligo tanto, tanto às pequenas coisas! Cada um tem em seu interior um pouquinho de segredo, um pouquinho de mistério, e é muito mais gostoso quando isso é descoberto aos poucos. Qual a graça de uma pessoa que deixa tudo transparecer?!
E tudo bem, é praticamente um paradoxo, mas também existem as vezes que precisamos de uma certeza no meio de tantas dúvidas, mas isso é difícil de explicar... Não é cobrança, não é ciúmes, não é amor exacerbado... É a certeza de que existe alguém que também pensa em você antes de dormir.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Certa vez você me disse que eu poderia escrever quando sentisse a sua falta, quando você não estivesse do meu lado... Em cada pedacinho de papel, em cada pensamento, na palma da minha mão, na minha vida. Adoro ter aquela sensação de frio na barriga quando te espero, adoro acordar e me sentir bem apenas em lembrar de você, não consigo dormir sem ouvir que você me ama; sinto necessidade de estar com você a todo instante, sinto cada vez mais essa vontade de ficar com você a todo instante, cuidar de você, falar mil vezes as coisas que eu sempre falo, demonstrar tudo que sai de dentro de mim. É curioso como você consegue fazer com que eu simplesmente páre por um tempo, e fique pensando, lembrando dos seus gestos, das suas palavras, do seu rosto, do seu jeito.. Tudo tão absolutamente necessário pra mim, tudo tão doce!
Até a saudade é uma saudade gostosa de sentir - é diferente, é intensa -, só passa quando posso sentir que você está comigo de alguma forma. Todas as noites quando deito pra dormir, me vem seu rosto em mente, suas palavras, os momentos que tivemos juntos, e começo a imaginar tudo que pode vir a ser também, tudo que já é, e a intensidade, a intensidade que eu tanto amo! Posso dizer com toda a certeza que meus sonhos são doces, doce como a sua presença em mim.

"A vida faz sentido, você me faz querer viver. Tudo que você pedisse, iria buscar pra você: a lua, o mar e as estrelas. Mudo os meus planos pra poder te ver..."

sábado, 14 de agosto de 2010

Sangue e chocolate

Sangue e chocolate. Paixão incessante, amor assíduo. Ódio temporário, ódio que invade minhas veias e filtra meu orgulho através de meias palavras. Sentimento inconstante que as vezes machuca, dói, sangra... Sentimento que as vezes revigoriza, traz-me fibra, vontade de mantê-lo, traz-me consolo para desprovimento.
Corpo. Alma. Meu corpo roça no seu, une-se, tornando apenas um – é inevitável negar -, e quando toco seus lábios posso sentir algo em meu interior, algo que com palavras encontra-se inexplicavelmente impossível de descrever. Não, não direi que seu corpo pertence ao meu, nem afirmarei que você sente a mesma coisa, pois eu já não sei. Vezenquando sinto saudade de ouvir da sua boca uma palavra que possa ir além de meras conversas cotidianas, as vezes sinto vontade de lhe perguntar se ainda sente a mesma coisa quando me toca, e se eu faço a mesma falta de antes, gostaria de ouvir você me chamar daquela forma de novo, me colocar entre seus braços e brincar comigo. Não gosto que outra pessoa ocupe o meu lugar, aquele que de alguma forma foi meu. Mas que tolice a minha! Tantas vezes perco-me em pensamentos sem sentido. Não que não valha a pena, mas talvez, corpo e alma estejam mais próximos do que possamos imaginar. Pois bem, “nunca se preocupe demais”, ouço tantas vezes, e já tentei equilibrar as coisas, pensando pelo lado óbvio, deu certo, mas é claro que as coisas não desaparecem de um dia para o outro. Na verdade, eu não quero que desapareçam, mantenho-as guardadas em algum lugar dentro de mim.
Existem outras pessoas espalhadas pelo mundo, há coisas mais doces, que não conhecem a amargura ou a dor – o chocolate -, você o prova, e mesmo assim, o desejo pelo que lhe faz bem, ainda assim lhe atrai mais, aquele sentimento confuso, indecifrável, aquele sentimento com doçura e amargura ao mesmo tempo, aquele que luta contra seu próprio orgulho, aquele que um dia, um dia, chega lá – o sangue. E ainda assim, as vezes, sem que nós possamos perceber, há uma mistura de sangue e chocolate – a doçura e o desejo, o sentimento puro e o nem tão puro assim, o amor e o ódio. O ser humano é um enigma para si mesmo, é uma caixinha de surpresas indomável e imprevisível.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Hoje olhei a lua. Mas olhei com uma atenção tão grande que me conectei fielmente a ela, achei que eu pudesse pensar nos meus sonhos mais insanos, nas minhas piores dúvidas, nas minhas vontades estranhas, nos meus objetivos, nas minhas palavras, no meu passado, no meu presente, no meu futuro, na minha vida. Se tem algo que me encanta verdadeiramente e tira meus pés do chão, é isso - a lua -, aquela luz maravilhosa, a sensação de tranquilidade que ela tras, e eu, particularmente, gosto muito mais quando durante a noite se formam aquelas nuvens em volta... Tudo anda tão confuso, tão vazio, tão... estranho! Eu preciso mesmo de boas e longas horas de uma madrugada que dê para eu sentar de frente pra janela, fitar a lua, escrever, ouvir uma música, pensar, pensar de novo... Até que o sono finalmente possa me atingir e eu deite em minha cama e durma tranquilamente. Busco arduamente por todas as dúvidas que me cercam, mas eu não sei porquê, tenho mais curiosidade ainda por elas, afinal, o que seria de nós sem dúvidas? Seria algo óbvio, eu diria que até clichê e demasiadamente cansativo. Tudo seria tão igual, todo mundo seria tão igual... Prefiro que seja diferente, antes amargo ou solitário, mas que seja diferente.
A propósito, já me acostumei com essas tardes, a xícara de café sobre a mesa, o violão, o papel e uma canção. A simplicidade ainda me agrada muito.