sábado, 14 de agosto de 2010

Sangue e chocolate

Sangue e chocolate. Paixão incessante, amor assíduo. Ódio temporário, ódio que invade minhas veias e filtra meu orgulho através de meias palavras. Sentimento inconstante que as vezes machuca, dói, sangra... Sentimento que as vezes revigoriza, traz-me fibra, vontade de mantê-lo, traz-me consolo para desprovimento.
Corpo. Alma. Meu corpo roça no seu, une-se, tornando apenas um – é inevitável negar -, e quando toco seus lábios posso sentir algo em meu interior, algo que com palavras encontra-se inexplicavelmente impossível de descrever. Não, não direi que seu corpo pertence ao meu, nem afirmarei que você sente a mesma coisa, pois eu já não sei. Vezenquando sinto saudade de ouvir da sua boca uma palavra que possa ir além de meras conversas cotidianas, as vezes sinto vontade de lhe perguntar se ainda sente a mesma coisa quando me toca, e se eu faço a mesma falta de antes, gostaria de ouvir você me chamar daquela forma de novo, me colocar entre seus braços e brincar comigo. Não gosto que outra pessoa ocupe o meu lugar, aquele que de alguma forma foi meu. Mas que tolice a minha! Tantas vezes perco-me em pensamentos sem sentido. Não que não valha a pena, mas talvez, corpo e alma estejam mais próximos do que possamos imaginar. Pois bem, “nunca se preocupe demais”, ouço tantas vezes, e já tentei equilibrar as coisas, pensando pelo lado óbvio, deu certo, mas é claro que as coisas não desaparecem de um dia para o outro. Na verdade, eu não quero que desapareçam, mantenho-as guardadas em algum lugar dentro de mim.
Existem outras pessoas espalhadas pelo mundo, há coisas mais doces, que não conhecem a amargura ou a dor – o chocolate -, você o prova, e mesmo assim, o desejo pelo que lhe faz bem, ainda assim lhe atrai mais, aquele sentimento confuso, indecifrável, aquele sentimento com doçura e amargura ao mesmo tempo, aquele que luta contra seu próprio orgulho, aquele que um dia, um dia, chega lá – o sangue. E ainda assim, as vezes, sem que nós possamos perceber, há uma mistura de sangue e chocolate – a doçura e o desejo, o sentimento puro e o nem tão puro assim, o amor e o ódio. O ser humano é um enigma para si mesmo, é uma caixinha de surpresas indomável e imprevisível.

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