
Algumas pessoas preferem ignorar, algumas pessoas preferem se importar, outras sorriem, outras choram. Algumas se prendem à um sofá, televisão e chocolate em uma tarde de domingo, porque está tudo dando errado, algumas resolvem esconder a tristeza por trás do sorriso, pegar o violão - ou seja lá o que for - e olhar o sol nascer, ou a noite cair, essas pessoas não são mais felizes ou mais infelizes, elas só fazem da tristeza, algo quase tão supérfluo, que ela vai embora quando você menos esperar.
Há também às vezes que tudo parece cair sobre seus ombros, e então eles ficam pesados e você se sente mal, sente como se todos os seus princípios estivessem caindo de um penhasco, como se seu corpo já não tivesse sintonia alguma com sua mente, e vice-versa, como se você não fosse só mais alguém no meio de tantas outras pessoas. É como se a verdade ficasse mais nítida e você pudesse enxergá-la com os olhos que sempre deveria ter enxergado... A solução? Eu também me pergunto qual seja. Já que não é possível esquecer, o que fazer então? Conviver com isso pode ser bom, ruim ou os dois.
Falando figurativamente, você imagina um barquinho, daqueles bem grandes, de desenhos animados, e aí você deposita todos os seus sonhos nesse barquinho, e ele percorre por muito tempo o oceano depositando em cada parte dele vários tipos de sentimento. Esse barquinho deixa de fazer parte da sua imaginação e passa a fazer parte de você, embora isso não seja notado de imediato. Um dia, você percebe que o barquinho está ficando velho, e que não é mais possível percorrer a linha da imaginação com ele, você precisa de um novo, mas você ama o velho, e não quer se desfazer dele, então você procura arduamente por uma solução - ela está dentro de você, você sabe, mas no fundo, o anseio de descobri-la o deixa com medo -, e você a nega até seu último fio de cabelo. De repente, você avista um anjo e ele lhe diz para que você consiga abandonar o barquinho velho, porque o barquinho velho no fundo, nunca foi seu... Você terá que vê-lo livre. Algumas lágrimas se misturam com as gotas do oceano, mas está tudo bem, porque você soltou o barquinho e ele então percorre outros lugares sozinho. Não precisa-se de um novo, precisa-se observar sempre se aquele que me acompanhou algum dia, ainda está por aí, fazendo outras pessoas abrirem um sorriso ou sonharem novamente. Para mim, nunca existirá outro barquinho com tamanha imensidão de sentimentos. E só me resta observá-lo de longe...
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