sábado, 2 de outubro de 2010

Rosas negras

Cenários abandonados, sentimentos sufocados. Suporto as emoções mais doloridas para virar as páginas de meu caderno incansavelmente até estar certa de que posso seguir meu caminho em paz, ao menos estando ciente da verdade. Por que diabos a incerteza pode ser tão ruim? Cenários úmidos, repletos de uma solidão explícita, vazios, negros... Meu peito dói, a dor percorre cada centímetro de meu corpo, faz com que meu sangue simplesmente corra em minhas veias – lentamente, quase parando -, faz com que minha voz soe fraca, faz com que minha expressão fique abatida – meu rosto muito branco, fazendo contraste com meu cabelo extremamente negro -, as lágrimas percorriam minha face, e embora parecesse, eu não compreenderia o motivo das mesmas caírem tão freneticamente quanto um corpo despenca de um precipício; quantas coisas foram enterradas naquelas folhas negras, quantos sorrisos roubados, quantos corações afetados, quantas verdades defasadas não ficaram por ali, e quantas noites sem dormir? Folhas cruéis! Desenterram sentimentos adormecidos em um sono profundo... Achei que demorariam a acordar, ou talvez, nunca acordariam! Mas para que fui recordar? Foi sem querer. O espaço filtrou todos e quaisquer sentimentos, era como se minha alma se transportasse para uma floresta negra, repleta de árvores aniquiladas, o céu mal se vê, de tão escuro – não há estrelas -, minha alma permanece perdida entre desejo e tentação de se livrar de todas as rosas negras ou permanecer ali, afogando suas mágoas sentada defronte ao rio cristalino, jogando palavras aos sete ventos... Contradição. Espera. Mágoa. Vingança. Dor. Raiva. Doravante, jurei não fazer nada. Todavia, avistei um lugar abaixo, vazio - era um precipício de incertezas, mas que aliviava a dor -, minha alma se jogou... Lá embaixo, rosas negras.
Cambaleando, levantei-me, fechando o caderno no mesmo instante. Abri os olhos e removi minhas mãos que estavam em cima dos mesmos, em uma tentativa de tampá-los da explícita realidade. Fitei-me no espelho por alguns instantes, joguei água no rosto. Um sonho. Deitei na cama outra vez, fitando o teto agora, adormeci novamente, mas antes, pude ouvir os respingos da chuva que começara no mesmo instante. Não fechei a janela, deixei que a chuva entrasse – mesmo que estivesse forte. Talvez eu não notaria, mas havia algo embaixo da janela, que veio junto com a chuva: rosas negras.

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